domingo, 15 de agosto de 2010

Marcelo Tas Apresenta a Evolução Digital no Café Filosófico CPFL

Por Victor Costa

O Café Filosófico CPFL do dia 6 de agosto recebeu um dos mais importantes comunicadores do país, o jornalista Marcelo Tas. Nas dependências da cpfl cultura, mais de 800 pessoas assistiram à divertida palestra Nova Renascença ou fim da picada?, que deu iníco ao módulo Mundo virtual: relações humanas, demasiado humanas, que conta com sua curadoria. E mais gente acompanhou essa participação, por meio da transmissão online no cpflcultura.com.br. Mais de 1500 pessoas passaram pelo site e participaram pelo chat enviando perguntas e debatendo as ideias.

Tas apresentou uma espécie de panorama da genealogia do analógico ao digital. Para tanto, estabeleceu um percurso da Renascença à atualidade. Da Imprensa de Gutenberg, que, ao libertar a informação, foi o YouTube do Renascimento, passando em 1938 pela invenção do Código de Modulação de Pulso (que possibilitou representar digitalmente um sinal analógico), culminando, em 1945, no conceito de satélite geoestacionário, que permitiu o desenvolvimento das telecomunicações, aos nossos dias de frenéticos tuites e retuites. Resultado deste percurso: os principais fenômenos da cultura digital são a diversidade do compartilhamento da informação e do conhecimento, e, principalmente, a variedade na publicação dos conteúdos. Mas, eis o problema de toda a “geleca eletrônica”: como entender o que está acontecendo conosco, “seres digitais”? Vivemos uma nova Renascença ou o fim da picada?

Viver em rede não é de hoje

Tas lembrou que a Renascença (período dos séculos XIV ao XVII no Ocidente) só recebeu este nome duzentos anos depois de seu “início”. “Esta é a dificuldade que temos hoje, dificuldade de definir o que estamos passando”, afirmou. Todas as épocas que passam por transformações macroestruturais têm a dificuldade de definição de si mesma. Mas este não é o único paralelo entre os dias atuais com o Renascimento. O período foi marcado justamente por macro transformações tais como as que vivemos atualmente, principalmente mudanças nas comunicações. Tas citou o cenário de Florença, que naqueles séculos foi epicentro do movimento de difusão de conteúdos, que ao colocar o conhecimento em rede, descentralizou-o. Ora, o que caracterizada a web é exatamente a descentralização do conhecimento, em rede. O mundo virtual continua a ser uma rede de pessoas, tal como nas velhas relações de comunicação. Nas palavras de Tas: “viver em rede não é de hoje!”. Para ilustra, Tas mostrou algumas imagens, com um papiro, o primeiro site, segundo ele; também um papiro egípcio, cujo layout parece precursor do ipod; e lembrou-se da Biblioteca de Alexandria, o Google da Antiguidade. O palestrante considerou passo primordial na “libertação” da informação a criação da Imprensa, por Johann Gutenberg, em 1448. “Foi o YouTube do Renascimento”, brincou.

Geleca eletrônica

No entanto, a característica fundamental de nossos dias é a diversidade das mídias de replicação de conteúdo. A diversidade de ferramentas das quais dispomos hoje para manter a rede é enorme, por isto a relação absurdamente veloz entre os conteúdos. Mas o que não se pode perder de vista é que, embora todo o suporte tecnológico, o mundo virtual é uma rede de pessoas. Por isto, Tas explica, o título do módulo deste Café Filosófico CPFL de agosto é Mundo virtual: relações humanas, demasiado humanas.

Tas falou então sobre o tema da educação. Desde as primeiras décadas do século XX até pouco tempo atrás, o professor era o provedor de informação. Abarrotava lousas de conteúdo, o aluno o replicava em seu caderno e o absorvia. Depois o professor testava quão bem o aluno compreendeu tal conteúdo. “E hoje, quantos provedores há para um aluno?”, questionou Tas. Mostrou então a imagem do quarto de um típico adolescente contemporâneo: com TV, rádio, livros, revistas, computador, celular, etc. A imagem valeu por mil respostas. Está prestes a ruir o papel do professor no mundo contemporâneo, eletrônico? Para Tas não. Segundo ele este é o momento do professor, que deve ser o organizador, o guia, deste caos de informações. “É ele [o professor] que pode fatiar as informações que nos são atiradas” e conferir-lhes razão, enfatizou Tas. É a hora do professor!

Momento nerd da palestra

Da transição do analógico ao digital, Tas citou dois cientistas: Alec Reeves e Arthur C. Clarke, no que irreverentemente chamou de “momento nerd da palestra”. Em 1938, o cientista Alec Reeves criou uma forma de ler digitalmente os sinais analógicos, este foi seu grande mérito. Assim, criou uma linguagem chamada Código de Modulação de Pulso, que usa a lógica do famoso código binário (0-1). Tas brincou que Reeves é o pai da pirataria, pois o Código nos possibilita, hoje, entre outras coisas, fazer cópias de mídias de DVDs.

Já Arthur Clarke além de cientista foi exímio escritor. Foi um conto seu que inspirou o filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. Mas a contribuição de maior importância de Clarke foi a criação do conceito de satélite geostacionário. Em 1945, Clarke apresentou o conceito em artigo publicado em uma revista já chamada Wireless World, propôs aí uma cobertura “extra terrestrial” para a radiodifusão mundial. Suas ideias foram imprescindíveis para o desenvolvimento das telecomunicações, e inspiraram a noção de rede em “tempo real”.

Tas encerrou a palestra ao afirmar que a grande tarefa contemporânea continua a mesma do passado: processar informação. “E a perguntinha ainda é a mesma: quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Só que agora podemos pensar nisto de modo mais democrático que antes”. E o desafio de viver em rede é não perder o foco, a pontaria, na utilização das ferramentas digitais. “Ferramentas são utilizadas por pessoas”, não o contrário

Contribuição: CPFL Cultura

sábado, 14 de agosto de 2010

Caio Fábio D'Araujo Filho



Pessoas [grifos meus] para enfrentar este tempo têm de ser de fibra, gente que tem em si a força do desapego, e que sabe o que é padecer. Caso contrário, o que sobra é restolho, são estilhaços, nada mais, das imensas pedras. A derrota sem luta é uma das maiores indgindidades.

Eros e Psique


Por Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Não-se tem nada além de tempo,
mas o tempo não nos da tempo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Metade


Por Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

domingo, 8 de agosto de 2010

2 vírgula 1

Por Luís Wesley
Duas xícaras, uma só amizade
Dois olhares, uma só paixão
Dois caminhos, uma só solidão
Duas mãos, um só coração

Duas estrelas, uma só constelação
Dois continentes, uma só atmosfera
Dois rios, uma só cachoeira
Duas águas, uma só sede

Duas faces, um só afago
Dois lábios, um só beijo
Dois seios, um só prazer
Duas bocas, um só sussurro

Duas vidas, uma só felicidade
Dois fogões, uma só brasa
Dois nomes, uma só história
Duas raízes, um só chão

Duas labaredas, um só clarão
Dois desejos, uma só esperança
Dois endereços, um só lugar
Duas claves, uma só canção

Dois portais, um só domingo
Dois altares, uma só Graça
Dois pedintes, uma só oração
Dois pecadores, um só perdão

domingo, 1 de agosto de 2010

*José Mindlin


O vírus do amor ao livro é incurável,

e eu procuro inocular esse vírus

no maior número possível de pessoas"

*José Mindlin tinha suas ocupações, que no caso era : advogado, empresario e bibliofilo a sua nacionalidade era brasileira. Resuminho simples : José Ephim Mindlin ... nasceu 8 de setembro de 1914, faleceu 28 de fevereiro de 2010. filho do dentista Ephim Mindlim e Fanny Mindlin. Fez faculdade de direito (na faculdade de São Paulo), por varios anos foi advogado. apôs sua aposentadoria, Mindlin pôde dedicar-se a sua paixão desde que tinha 13 anos de idade: colecionar livros raros. O 1º foi Discours sur i'HISTOIRE UNIVERSILLE acumulava cervo de até 40 mil volumes Em 20 de junho de 2006 Mindlin decidiu doar todas as obras brasileiras da vasta coleção pra á universadade de São Paulo, pois então foi chamado de "Biblioteca Brasileira Guita e José Mindlin"