domingo, 1 de agosto de 2010

Latino-americanas mais educadas se casam menos, diz estudo

As mulheres latino-americanas mais escolarizadas têm menos probabilidade de se casar do que as mulheres menos educadas ou que os homens igualmente educados, segundo afirma uma pesquisa da Universidade Harvard.

De acordo com a pesquisa - baseada em dados de censos de mais de 40 países - quando se casa, grande parte das mulheres latino-americanas mais escolarizadas tende a fazê-lo com homens menos educados.

No Brasil e na Colômbia, por exemplo, cerca de 40% das mulheres mais escolarizadas se casam com homens menos educados, enquanto que nos Estados Unidos essa proporção é de apenas 16%.

O estudo Schooling Can’t Buy me Love (Escolaridade não pode comprar o amor, em tradução livre) define como mulheres mais escolarizadas as que têm pelo menos nível secundário completo.

Capacidade no Lar

Os autores da pesquisa concluem que os homens latino-americanos valorizam mais a capacidade de uma mulher no lar do que sua preparação acadêmica na hora de escolher uma esposa.

Segundo eles, a América Latina apresenta uma situação diferente da de outras regiões também analisadas, como países desenvolvidos ou do leste europeu.

“Identificamos que quando uma mulher se casa com um homem menos educado do que ela, tende a trabalhar mais, enquanto quando se casa com um homem igualmente escolarizado, tende a ficar em casa”, disse à BBC um dos autores do estudo, Ricardo Hausmann, ex-ministro de Planejamento da Venezuela.

Apesar disso, o estudo indica que quando as mulheres se casam com homens menos escolarizados, eles em sua maioria têm uma renda superior à média de seu perfil de idade e escolaridade.

“Talvez seja algo que a mulher lhe acrescente, que lhe dê mais conexões, mais contatos, mais mundo, ou pode ser que se o homem não fosse uma pessoa relativamente capaz, a mulher não teria se casado com ele”, comenta Hausmann, que é diretor do Centro de

Desenvolvimento Internacional de Harvard.
Um estudo anterior do Fórum Econômico Mundial sobre a diferença entre os gêneros, do qual Hausmann participou, indicava que as mulheres latino-americanas haviam eliminado a diferença com os homens em termos de nível educacional e que hoje as mulheres são mais escolarizadas na média do que os homens na região.

“Parte da hipótese que se poderia ter é que se as condições educacionais são igualadas, os gêneros vão se igualando em outras dimensões. E uma das coisas que aparece é que efetivamente as mulheres mais educadas tendem a trabalhar mais, mas há também toda essa complexa dinâmica em torno do casamento”, afirma Hausmann.

“Não esperávamos descobrir que mais educação implica também mais dificuldade de se casar”, diz.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Resolução que veda participação de psicólogos em exames criminológicos gera polêmica

O Conselho Federal de Psicologia proíbe que psicólogos avaliem presos

O Conselho Federal de Psicologia editou uma resolução no mês passado que veda a participação de psicólogos em exames criminológicos de presos. Estes exames são fundamentais para basear decisões judiciais quanto a progressão de regime de presos.

Para a presidente do Conselho, Ana Maria Lopes, estas avaliações, da forma como são feitas, não são éticas, pois só há acompanhamento em um dado momento da vida do preso, que é quando que se estuda a progressão de pena. O acompanhamento psicológico, na visão dela, deveria ser feito desde o início do ingresso no sistema penitenciário.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do MPE, Fabiano Dallazen, é contra a resolução do Conselho . Segundo ele, a decisão é ilegal. Ele argumenta que os exames não devem ser a única forma de decidir a progressão de pena, mas devem servir como recurso adicional nestas decisões.

Contribuição: Zero Hora

Marina Defende Plebiscito Sobre Legalização da Maconha


Em agenda de campanha em Natal, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, dividirá as atenções dos potiguares com a Marcha pela Maconha, prevista para as 16 horas de hoje. Pela manhã, Marina deu entrevistas a duas emissoras de rádio e defendeu um plebiscito para discutir a legalização da maconha. "Não podemos resolver isso (legalização da droga) sem um grande debate", argumentou.

A candidata disse que respeita as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que são favoráveis à legalização, mas assim como na questão do casamento gay, ela é contra. No entanto ela espera que o assunto seja levado à sociedade. "Eu nunca tive nenhuma atitude de discriminação", afirmou.

Durante entrevista de 25 minutos à Rádio 95 FM, Marina disse que sua candidatura conseguiu se impor no cenário eleitoral e que "acabou o plebiscito" entre PT e PSDB. No entanto, para a candidata o desafio agora é "acabar com a baixaria" de acusações entre seus adversários. "Eu não estou me deixando pautar pelo jogo do vale-tudo."

A presidenciável voltou a criticar as acusações do vice do presidenciável José Serra, deputado Indio da Costa (DEM-RJ), que levantou recentemente a questão da suposta relação entre PT e as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc). Marina disse que falta a Indio maturidade e"quilometragem política". "O vice do Serra às vezes extrapola. Não vale tudo para se ganhar as eleições", criticou.

Marina disse esperar de seus adversários uma postura de respeito à legislação e que, após as multas da Justiça Eleitoral, que não haja mais infrações. Para ela, Dilma Rousseff (PT) e Serra colecionam multas porque suas candidaturas têm estrutura financeira para pagar as punições. "Eu ia lavar prato pelo resto da vida se fosse multada toda semana", disse.

GOVERNOS

Se eleita, ela afirmou que não discriminará governos de oposição ao seu partido por acreditar que isso representa um "pensamento mesquinho". "Essa é a política pequena." Num discurso voltado para os nordestinos, Marina defendeu mais investimento em educação (principalmente no combate ao analfabetismo), saúde (com foco na luta contra a mortalidade infantil), segurança (destacou a violência doméstica) e manutenção do Bolsa Família, rechaçando a ideia de programa assistencialista. "Só chama de assistencialista quem não sabe o que é passar fome", rebateu ela durante entrevista à Rádio 96 FM.

Marina também abordou durante as entrevistas o investimento em obras de infraestrutura, uma vez que o Estado receberá jogos da Copa do Mundo de 2014. A candidata afirmou que quer ir além do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o qual chamou de sistema de gerenciamento de obras. "No governo do Fernando Henrique Cardoso nem tinha isso", cutucou.

A candidata aproveitou o assunto para rebater os críticos que afirmam que um governo verde não investirá em obras. "A gente pode fazer os investimentos sem destruir a natureza. O que não dá é fazer de qualquer jeito", disse.

Marina defendeu ainda o corte de gastos e o fim do "festival de cargos comissionados". "O servidor concursado deve ser mantido. O que nós temos de acabar é com o desperdício", propôs. A candidata disse se espelhar no modelo de transparência na divulgação dos gastos implementada pelo presidente norte-americano Barack Obama. "Quero fazer como o presidente Obama, colocar tudo na internet."

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nova Renascença ou Fim da Picada?

Por Marcelo Tas
Marcelo Tas : É jornalista, ator e roteirista. Entre suas obras destacam-se os videos do repórter ficcional Ernesto Varela; as séries "Rá-Tim-Bum" (TV Cultura) e a sua participação na criação do "Programa Legal" e "Telecurso" (TV Globo). Recentemente, Tas realizou o "Beco das Palavras", um game interativo no Museu da Lingua Portuguesa, em São Paulo.

Já atuou como colunista e âncora em variados veículos: Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, revista Trip; e nas rádios Bandnews, 89 FM e Eldorado. Atualmente, Tas é o âncora do CQC- programa que mistura jornalismo e humor- transmitido em rede nacional pela BAND. No portal UOL, é autor do "Blog do Tas", um dos blogs mais premiados do país (melhor blog do Brasil pelo iBest- 2004 e 2005; melhor blog em língua portuguesa pelo The Bobs- 2007- da Deutche Welle, Alemanha). Tas já foi agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, entre eles a bolsa da Fullbright Comission, quando foi artista residente na NYU- New York University, nos Estados Unidos.


Cada vez mais, nossas relações são mediadas por ferramentas digitais: a política, a educação, as relações sociais e amorosas, os negócios... o mundo vive cada vez mais on-line, trocando informação numa rede em tempo real. Somos a geração que testemunha e é cobaia de uma importante transição tecnológica: do analógico para o digital. É um tempo de aceleração de velocidade e variedade na publicação das informações e do conhecimento compartilhado, onde cada um pode ser o autor de sua obra fictícia ou não. Como confiar e conviver no caldo cultural gerado por tantas possibilidades e ruídos? Quais os nós dramáticos desta história? Estamos diante de uma nova renascença ou diante do fim da picada

Assista ao vivo no Café Filosófico:
Palestra do módulo Mundo virtual: relações humanas, demasiado humanas, de Marcelo Tas.

Transmissão ao vivo a partir das 18h em www.cpflcultura.com.br/aovivo

Data: 6 de agosto
Horário: 19h