segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Fariseu e a Criança


Palavras de Tomas Merton: “Se tenho uma mensagem para meus contemporâneos, certamente é esta: sejam o que quiserem, sejam loucos, bêbados… Mas evitem, a todo custo, uma coisa: ’sucesso’”. Evidentemente, Merton se refere ao culto ao sucesso, à fascinação farisaica por honra e poder, o impulso implacável de realçar a imagem do impostor aos olhos dos admiradores. Quando, porém, minha falsa humildade desdenha do prazer da conquista e escarnece os elogios e louvores, fico orgulhoso dela, alienado e isolado das pessoas reais, de modo que o impostor domina novamente.

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Extraído do capítulo 5 de "O impostor Que Vive Em Mim" de Brennan Manning

Contribuição: Blog Caminho da Graça

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Os Intelectuais e a Educação


Gramsci examinou de perto o papel dos intelectuais na sociedade: todo homem é um intelectual, já que todos têm faculdades intelectuais e racionais, mas nem todos têm a função social de intelectuais. Ele propôs a ideia de que os intelectuais modernos não se contentariam mais de apenas produzir discursos, mas estariam engajados na organização das práticas sociais.

Segundo sua análise, “não há actividade humana da qual se possa excluir de toda intervenção intelectual, não se pode separar o ‘homo faber’ do ‘homo sapiens’” enquanto, independentemente de sua profissão específica, cada um é a seu modo “um filósofo, um artista, um homem de gosto, participa de uma concepção do mundo, tem uma consciente linha moral”, Mas, nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais.

Historicamente se formam categorias particulares de intelectuais, “especialmente em relação aos grupos sociais mais importantes e passam por processos mais extensos e complexos em conexão com o grupo social dominante”. Gramsci, então, distingue entre uma “intelectualidade tradicional” que, sem razões, se considera uma classe distinta da sociedade e os grupos intelectuais que cada classe gera “organicamente”. Estes últimos não descrevem a vida social simplesmente por regras científicas, mas de preferência exprimem as experiências e os sentimentos que as massas por si mesmas não conseguem exprimir.

O intelectual tradicional é o literato, o filósofo, o artista e por isso, diz Gramsci, “os jornalistas, que acreditam ser literatos, filósofos e artistas, também acreditam ser os verdadeiros intelectuais”, enquanto que modernamente é a formação técnica a que serve como base do novo tipo de intelectual, um “construtor, organizador, persuasor”, que deve partir “da técnica-trabalho para a técnica-ciência e a concepção humano-histórica, sem a qual permanece especialista e não se torna dirigente”. O grupo social emergente, que labuta por conquistar a hegemonia política, almeja conquistar a própria ideologia intelectual tradicional, ao mesmo tempo que forma seus próprios intelectuais orgânicos.

A organicidade do intelectual se mede pela maior ou menor conexão que mantém com o grupo social ao qual se relaciona: eles operam, tanto na sociedade civil quanto na sociedade política ou estado. A primeira representa o conjunto dos organismos privados nos quais se debatem e se difundem as ideologias necessárias para a aquisição do consenso que aparentemente surge de modo espontâneo das grandes massas da população em torno às decisões do grupo social dominante. A segunda é onde se exerce o “domínio directo do comando que se expressa no Estado e no regime jurídico”. Os intelectuais são como “apostadores do grupo dominante para o exercício das funções subalternas da hegemonia social e do regime político”. Assim como o Estado, que na sociedade política almeja unir os intelectuais tradicionais com os orgânicos, também, na sociedade civil, o partido político forma “os próprios componentes, elementos de um grupo social que nasce e se desenvolve como económico, até convertê-los em intelectuais políticos qualificados, dirigentes, organizadores de todas as actividades e as funções inerentes ao desenvolvimento orgânico de uma sociedade integral, civil e política”.

A necessidade de criar uma cultura própria dos trabalhadores relaciona-se com o apelo de Gramsci por um tipo de educação que permite o surgimento de intelectuais que partilhem das paixões das massas de trabalhadores. Neste aspecto, os adeptos da educação adulta popular tomam Gramsci como uma referência. Seu sistema educacional pode ser definido dentro do âmbito da pedagogia crítica e a educação popular teorizadas e praticadas mais contemporaneamente pelo brasileiro Paulo Freire.

Contribuição: Wikipedia

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Maradona no Aquecimento

A Espiritualidade do Descanso


Por Caio Fábio

Durante muitos anos eu julguei que esse mandamento de Jesus era para os outros, não para mim. Então pus-me a trabalhar na intenção de “remir o tempo, pois os dias são maus”.

O que somente a experiência revela é o seguinte:

1. Jesus viveu apenas 3 anos de intenso ministério e ainda assim julgou que era preciso parar e se separar do bulício da vida e das necessidades humanas a fim de repousar, de comer em paz e de renovar as forças do ser.

2. Sendo Ele quem era, ainda assim, não brincou com a encarnação. Trata-se de Deus respeitando os limites da condição humana.

3. Desse modo fica-se sabendo que nem Deus em Cristo prescindiu da necessidade do repouso. E as implicações disso são óbvias e simples: mesmo a mais genuína e legitima espiritualidade não pode prescindir dos limites do corpo e da alma. Portanto, qualquer projeto de espiritualidade que pretenda existir acima da condição humana está fadado ao fracasso e à doença!

No arroubo da juventude, estimulado pela energia missionária de potro, corri como quem tinha que salvar o mundo inteiro, e cansei...

As conseqüências são inevitáveis:

1. O coração perde o ardor não por falta de amor, mas por absoluta necessidade de energia.

2. Vivendo extenuado, tudo se torna pesado. E nada é mais stressante que o ministério, se vivido com paixão, calor e intensidade.

3. A alma cansada pede férias. E, muitas vezes, pede férias até mesmo do ministério. O que vem na seqüência é que já não se sabe mais se se está cansado pelo cansaço ou se se está cansado do ministério.

4. O próximo passo é que toda a pilantragem que nos circunda vai fazendo o coração cansado achar que está perdendo tempo, malhando em ferro frio, e, então, surge o marasmo, a descrença e a tristeza.

5. Cansaço deprime, esgota e des-romancia a alma. Então, vem a falência dos ideais e inicia-se o processo de trabalhar mecanicamente.

6. O fim disso é imprevisível. Uns adoecem psicologicamente. Outros anestesiam-se a fim de continuar “empurrando com a barriga”. E outros ainda, caem no caminho da auto-indulgencia, pois, se tudo é tão ruim, por quê não dá a si mesmo um pouco de auto-compensação?

Escrevi isto quando estava voltando da floresta no início deste ano de 2003!

Meu pai tem casa por lá. As cutias comem no fundo do quintal, os rastros dos gatos maracajás aparecem na areia branca e fina, os pássaros gorjeiam aos milhares e os sapos são tenores, barítonos, baixos e sopranos!

E as guaribas?—uma espécie de macaco vermelho—cantam em grupos de 300 ou 400 todas as madrugadas de lua cheia, num coral de vozes guturais e barítonas, regidas pelo macaco chefe, o capelão!

E os igarapés? e as cachoeiras? e os peixes do paraíso, após cada provada não dá mais para comer peixe de mar, carregado de maresia?

E meus amigos caboclos? e suas histórias tão puras? e suas dores tão simples e não neuróticas? e suas alegrias tão singelas? e sua fidelidade tão florestalmente macha e digna?

Ah! hoje, mais do que nunca, entendo porque meu pai nunca quis vir para estas plagas—quase pragas—locais e urbanas, onde tudo e todos ofegam até enquanto dizem descansar!

E é essa vida no descanso da Graça que quero viver. E é nessa paz de poder ser de Deus e servi-Lo sem messianismo de nenhuma natureza que estou gostando muito de viver!

domingo, 13 de junho de 2010

Acupultura

Início do Conteúdo Terapia Comportamental Ainda é Desconhecida


Diferentemente do Brasil, nos EUA método para tratar problemas psicológicos domina e já é ofertado pela internet. Mas há limitações, diz psicóloga...

O nome é difícil - terapia cognitivo-comportamental (TCC) - e, como sua irmã mais conhecida, a psicanálise, é um método que procura a cura de problemas psicológicos. Trabalha no aqui e agora e busca mudanças no comportamento, enquanto que a psicanálise produz autoconhecimento.

"São mais de 900 tipos de enfoques de tratamentos de psicoterapias e a TCC está no padrão ouro", explica o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do projeto Dependência da Internet, do Instituto de Psiquiatria da USP e Hospital das Clínicas. "Em todo o mundo a TCC, que é considerada eficaz em 85% dos casos, é a mais usada, porém, no Brasil a psicanálise é procurada por 80% dos pacientes", conta o especialista.

"A TCC por muito tempo foi considerada para poucos", diz o psicoterapeuta Telmo Kiguel, coordenador do Departamento de Psicoterapia da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). "Hoje em dia os psiquiatras valorizam as terapias comportamentais-cognitivas, que lidam com sintomas", diz Oswaldo Ferreira Leite Netto, diretor de atendimento à comunidade da Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Pelo celular. As psicoterapias, especialmente a TCC, já são ofertadas em outros países por telefone celular, mensagens instantâneas e skype. Nos Estados Unidos há até APPs (APP é um software desenvolvido para navegação na internet por telefone celular) para iPhone que a oferecem por US$ 0,99 (R$1,78). Mas há limitações, na opinião da doutora em psicologia e especialista em transtornos de personalidade e ansiedade da Universidade Columbia, Nova York (EUA), Simone Hoermann, que analisou três desses softwares.

"Acho que as novas tecnologias podem criar oportunidades que devem ser levadas em consideração", diz Simone, que explica que elas podem ajudar, por exemplo, uma pessoa que se muda de país e quer continuar o tratamento. No entanto, diz a psicóloga, ainda não há estudos que comprovem a eficácia do método a distância. E nada substituiu a consulta, opina.

"Meu trabalho se torna muito mais fácil quando posso ver o paciente. Portanto, não acredito que um programa de computador ou um livro possam substituir um profissional treinado. Além disso, boa parte dos estudos que buscam determinar por que a psicoterapia funciona indica que o relacionamento com o terapeuta é um dos fatores mais importantes . Um bom aplicativo pode ser um complemento", afirma Simone.

Restrição. No Brasil, no entanto, o assunto ainda causa polêmica. Uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, criada em 2000, autoriza o divã virtual apenas em pesquisas científicas.

A psicoterapeuta Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Psicologia de Informática (NPPI) da PUC-SP, explica que o conselho autoriza várias formas de orientação psicológica pelas diferentes mídias, desde que sejam breves e pontuais.

Fonte: O Estado de S.Paulo [Claudia Belfort e Silvia Herrera]