terça-feira, 20 de abril de 2010

ESPELHOS


Por Clarice Lispector

Dá-me a Tua Mão
Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crônica do Amor


Por Arnaldo Jabor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

ÔNIBUS 174


Sinopse:
Uma investigação cuidadosa, baseada em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o seqüestro de um ônibus em plena zona sul do Rio de Janeiro. O incidente, que aconteceu em 12 de junho de 2000, foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando o país. No filme a história do seqüestro é contada paralelamente à história de vida do seqüestrador, intercalando imagens da ocorrência policial feitas pela televisão. É revelado como um típico menino de rua carioca transforma-se em bandido e as duas narrativas dialogam, formando um discurso que transcende a ambas e mostrando ao espectador porque o Brasil é um país é tão violento.


Esta analise é realizada a partir das aulas de Psicologia Social, ministrada pela prof. Flávia Carvalhaes, quando foi exibido o documentários ÔNIBUS 174...

A tentativa de estabelecer uma ponte entre os conceitos de Identidade, representações sociais, Ideologia dentro da Psicologia Social, com o episódio do Ônibus 174, nos deparamos com a complexidade que os diversos fatores que atravessam cada um dos envolvidos, se entrelaçam, produzindo seqüencia de acontecimentos inesperados, indesejados, incalculáveis... Porém previsíveis e evitáveis.

Ao analisar o comportamento do Sandro, pode-se identificar que a identidade é um processo subjetivo mutável, que a partir dos diversos comportamentos instáveis variam da empatia á violência. A identidade reafirma-se a partir dos contextos das relações sociais, onde é atravessada por questões ideológicas e linguagens e representações sociais.

Quanto as representações sociais, é observável que a sociedade tem uma imagem pré-produzida do bandido; de forma preconceituosa a sociedade estabelece critérios de certos e errados, e todos quantos não estão de acordo com essa faixa de normalidade são taxados de bandidos, através do seu estereótipo. De forma chocante o filme expressa a ira e a justiça própria das pessoas, todos os envolvidos no documentário desejavam fazer justiça com as próprias mãos; o interessante é que a sociedade não vê o Sandro como um produto da sociedade, criado por nós mesmos, se o Sandro era o protagonista culpado do enredo, nós sociedade também somos culpados quando produzimos desigualdade e negamos direitos e dignidades a Sandro’s da vida.

O filme trabalha com sistemas ideológicos, essa observação é possível através das construções sociais. De forma inegociável a sociedade estabelece sistemas de homogeneidade, Sandro não se enquadrava nesse sistema ideológico, pois desde criança sofria na pele a perda dessas ideologias; a mãe é degolada na sua frente quando tinha apenas seis anos de idade, na seqüência vai morar coma tia, porém foge para rua, onde fica invisível até aos 22 anos de idade, essa invisibilidade foge das compreensões ideológicas.

domingo, 18 de abril de 2010

O TEATRO MÁGICO

O Teatro Mágico esteve em Londrina no Teatro Marista esse final de semana (18/04/2010). Confesso que não conhecia o grupo. Apesar de não ter assistido sua apresentação, pesquisei na net e observei que essa galera gente boa, tem uma proposta artística e musical sensacional. Letras inteligentes, somada com músicas de qualidades e muita arte.

Verifique aqui no blog um pouco da sua história, depois procure no youtube e aprecie suas músicas.



O Teatro Mágico é um grupo musical brasileiro formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O Teatro Mágico é um projeto que reúne elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura e do cancioneiro popular tornando possível a junção de diferentes segmentos artísticos num mesmo espetáculo.

O Teatro Mágico foi criado por Fernando Anitelli, ator, músico e compositor das canções do show. A trupe que o acompanha, foi formada em dezembro de 2003 por amigos e artistas que acreditaram no projeto. De forma independente, sem apoio de gravadora ou campanhas midiáticas, já alcançaram números que muitas bandas "consagradas" não conseguiram ainda. O boca a boca e a Internet foram fundamentais na divulgação do trabalho, cada vez mais conhecido e respeitado, se consolidando como uma das bandas mais importantes da cena independente do Brasil.

sábado, 17 de abril de 2010

A Vida de David Gale



Sinopse: “David Gale (o premiado Kevin Spacey) é um brilhante professor de Filosofia. Tem livros publicados, é respeitado, extremamente inteligente… mas está no corredor da morte, aguardando sua execução. Ele é acusado de ter estuprado e assassinado uma colega de trabalho e ex-aluna (Rhona Mitra). Às vésperas de sua morte, David pede a presença da repórter Bitsey Bloom (Kate Winslet) para que ele lhe conceda uma entrevista exclusiva, onde finalmente contaria toda a verdade sobre o caso. Trata-se de uma história inacreditável e fantástica, envolvendo alcoolismo, a mulher que o abandonou, a melhor amiga e confidente (Laura Linney), que está morrendo de leucemia, um advogado incompetente (Leon Rippy) e um governador que adoraria eletrocutá-lo.
Quanto mais Bitsey ouve a história de David, mais ela fica estarrecida. Porém, faltam apenas quatro dias para a execução do prisioneiro, e talvez a jornalista não tenha tempo de fazer nada para inocentá-lo.”

Metamorfose Ambulante


Por Raul Seixas

Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

Eu vou lhe dizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
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Raul sempre foi uma cara muito polêmico, a percepção que se tem, é que Raul viveu a frente de seu tempo. Suas músicas, suas composições, sempre com um teor muito crítico, denununciando estruturas de conjunturas da sua época.

Além da abordagem critica musical, as letras que compõem suas músicas, também é encharcada de uma carga humana-existencial. Raul consegue expressar através da arte musical, as ânsias, angústicas, tristezas, felicidades, certezas e incertezas que atravessam a alma humana.

De fato essa compreensão veio ser pontencializada, após algumas aulas de psicologia social. Durantes as aulas trabalhamos com conceitos foucaultianos, de que o homem é produto e produtor da história, de modo que a música de Raul demonstra de forma artística que somos atravessados de muitos sentimentos, emoções, a todo instante nosso comportamento esta sofrendo essa mutação ambulante.

Alguns momentos estamos alegres, no instante seguinte a tristeza invade nossa alma, por vezes estamos satisfeitos com o que temos ou com o que somos, entrentanto num "piscar-de-olhos" estamos angustiados e insatisfeitos com nossas conquistas, por que de fato, Paulo Freiro tinha toda razão quando disse: "A pessoa não é, ela esta sendo".

O JEITO PSICÓLOGO DE SER...


Psicólogo não adoece, somatiza;
Psicólogo não transa, libera libido;
Psicólogo não estuda, sublima;
Psicólogo não dá vexame, surta;
Psicólogo não esquece, abstrai;
Psicólogo não fofoca, transfere;
Psicólogo não tem idéia, tem inshigth;
Psicólogo não resolve problemas, fecha gestált;
Psicólogo não muda de interesse, altera figura-fundo;
Psicólogo não se engana, tem ato falho;
Psicólogo não fala, verbaliza;
Psicólogo não conversa, pontua;
Psicólogo não responde, devolve a pergunta;
Psicólogo não desabafa, tem catarse;
Psicólogo não é indiscreto, é espontâneo;
Psicólogo não dá palpite, oferece alternativa;
Psicólogo não fica triste, sofre angústia;
Psicólogo não acha, intui;
Psicólogo não faz frescura, regride;
Psicólogo não mente, resignifica;
Psicólogo não paquera, estabelece vínculo;
Psicólogo não pensa Nisso, Respira Nisso.
Psicólogo não é gente, é estado de espírito!!!!!!